Quem escreve este site é um pescador de rio, não um jornalista de jogos. Chamo-me Hugo Pereira, vivo em Peso da Régua e passo mais fins de semana na margem do que em frente ao ecrã.
Corgo, a primeira água
O Corgo desce de Vila Real e entra no Douro aqui mesmo, na Régua. Foi nele que aprendi a distinguir uma boga de um escalo pela boca antes de os tirar da água, e a perceber que o peixe muda de sítio conforme a água sobe ou desce. Nada disto se aprende de uma vez.
Os jogos entraram mais tarde, pelo telemóvel, nas noites de inverno em que o rio vem castanho.
Douro na Régua
Na Régua o Douro é largo e lento, e quem pesca do cais vê de tudo: gente com engodo para o barbo, miúdos com cana curta à boga, pescadores de achigã a lançar amostras rente às pedras. Foi a olhar para essa mistura que comecei a reparar no que os jogos fazem com as espécies. Uns inventam, outros copiam peixes americanos, quase nenhum mostra um barbo ibérico. Também é no Douro que se fala do siluro, peixe que o centro de investigação MARE já refere para esta bacia e que em Portugal não pode voltar vivo à água.
Paiva e a truta de março
O Paiva é outra conversa. Água mais fria, mais pedra, truta-de-rio. A época abre a 1 de março e fecha a 31 de julho, e nas primeiras semanas vê-se mais gente na margem do que peixe na água.
É o rio que me lembra todos os anos que o calendário manda mais do que a vontade.
Tâmega e o barbo de junho
Barbos e bogas estão fechados de 16 de março a 14 de junho, e a 15 de junho o Tâmega volta a ter pescadores. Nenhum jogo que conheço tem uma época de defeso: pesca-se qualquer espécie a qualquer hora, e o único tempo que conta é o do evento diário. Não tomo isso como defeito dos jogos, que não prometem ser guia de lei. Mas é por aí que começam as confusões de quem passa do ecrã para a margem, e por isso está nas páginas.
Achigã e carpa nos ecrãs
Escrevo sobre seis jogos com água doce. Em cada página abro os ecrãs do Google Play, leio nomes de lagos, pesos e espécies, e ponho ao lado o peixe português mais parecido, com a regra que se lhe aplica. Quando um jogo não tem rio nenhum, como o Anzol de pesca, digo-o. Quando tem um achigã, vou ao artigo da portaria. Se quiser ver o método aplicado a um tema, as páginas sobre amostras e engodos e sobre peixe real contra algoritmo são as mais completas.
Boga, bordalo e as palavras do rio
Algumas palavras aparecem em quase todas as páginas. Ficam aqui explicadas uma vez.
- Massa de água lótica
- Rio ou ribeira que corre livre, ou troço represado por uma estrutura até 2 m de altura.
- Massa de água lêntica
- Albufeira, charca ou água represada por estrutura com mais de 2 m. O achigã tem regras diferentes numa e noutra.
- Devolução proibida (DP)
- O exemplar apanhado não pode voltar à água nem ser transportado vivo. Aplica-se a siluro, lúcio ou perca-sol.
- Devolução obrigatória (DO)
- O peixe volta logo à água em boas condições. É o caso do barbo do Sul e do bordalo.
- Engodo
- Mistura lançada à água para juntar peixe no pesqueiro antes e durante a pesca.
- Amostra
- Isco artificial que imita peixe ou bicho e que se trabalha com a cana. Nos jogos em inglês aparece como lure.
- Carreto
- A peça que enrola o fio. O travão do carreto decide quanto fio sai quando o peixe puxa.
- Concessão de pesca
- Troço entregue a uma entidade gestora, com regulamento e licença especial próprios.
Barbo, boga e truta: calendário e medidas
A tabela resume os períodos de pesca lúdica e as medidas mínimas das espécies que mais encontro. Algumas águas têm exceções.
| Espécie de água doce | Época do ano | Tamanho mínimo real |
|---|---|---|
| Barbo-comum | 1/1 a 15/3 e 15/6 a 31/12 | 20 cm |
| Boga do Norte | 1/1 a 15/3 e 15/6 a 31/12 | 15 cm |
| Escalo do Norte | 1/1 a 15/3 e 15/6 a 31/12 | 12 cm |
| Truta-de-rio | 1/3 a 31/7 | 20 cm |
| Achigã em albufeira | 1/1 a 15/3 e 15/5 a 31/12 | 20 cm |
| Achigã em rio | Todo o ano | Sem mínimo, devolução proibida |
| Carpa | Todo o ano | Sem mínimo |
Fonte: artigos 9.º e 11.º e anexo I da Portaria n.º 360/2017, alterada pela Portaria n.º 108/2018. As massas de água do anexo III e as zonas de pesca lúdica têm períodos próprios.
Douro com fontes: de onde vem cada regra
As regras que cito saem do texto publicado, não de conversa de cais.
- Portaria n.º 360/2017, de 22 de novembro: espécies, períodos e medidas.
- Portaria n.º 108/2018, de 20 de abril: primeira alteração, com siluro e lucioperca no anexo I.
- gov.pt, licença de pesca em águas interiores: serviço a cargo do ICNF.
- MARE, estudo do siluro no Tejo.
Rio sem notas: o que não faço aqui
- Não dou notas, estrelas nem posições. A classificação do Google Play é copiada tal como estava no dia da leitura.
- Não recebo dinheiro de estúdios e não uso ligações com comissão.
- Não digo quanto dura uma partida nem quantos anúncios aparecem por hora, porque não medi.
- Não publico pesqueiros exatos. Os bons sítios do Paiva ficam com quem os procura.
- Não recolho dados de quem lê: não há formulários, contas nem análise de tráfego.
Uma boga mal identificada numa página?
Escreva e diga onde. Leio o correio eu mesmo e respondo no prazo de uma semana.
[email protected]